Muitos de nós temos uma ideia fixa sobre preconceito, achando que este mau atinge apenas os negros e homossexuais. Mas não é bem assim.
Preconceito, como a própria palavra já diz, é o conceito prévio sobre qualquer imagem ou atitude de alguém que não conhecemos. Existem vários tipos de preconceito : o preconceito de cor, religião, classe social, situação financeira, contra a opção sexual, quanto a situação física... Nada mais é do que aquela velha história de julgar um livro sem ao menos abri-lo.
No país em que a televisão é usada para educar as crianças e adolescentes, é cada vez mais trabalhado essas questões. Novelas que tem como personagens crianças com síndrome de Down e que levam uma vida normal. Vão a escola, trabalham, se casam, tem filhos. Ou ainda pessoas com deficiência física, e é aí que eu entro.
Meus pais são deficientes físicos. Ambos vieram do interior de Goiás pra Goiânia em busca de melhores condições de vida e um tratamento adequado. Quando criança, não tiveram acesso a vacina que imuniza contra a Poliomielite, mais conhecida como Paralisia Infantil. Infrentaram muitos obstáculos, muito preconceito, muita descriminação, mas venceram.
Como todo adolescente, queriam se divertir, sair com os amigos, queriam namorar, ir ao colégio. Minha mãe passou a adolescência dela trancafiada em um hospital graças às cirurgias e outros tratamentos. Meu pai, pelo fato da deficiência ser mais leve comparada a da minha mãe, ainda curtiu essa fase, mas não se livrou das chacotas. Quantas foram as vezes que levaram um pé na bunda de um namorado (a) simplismente por serem deficientes? Quantas vezes foram motivo de piada entre os ditos “amigos”?
Minha mãe, junto com um grupo de deficientes físicos, fundaram uma associação chamada ADFEGO (Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás), e lá ajudaram muitas pessoas, dando assistência quanto a fisioterapia, psicólogos, esporte, oportunidade de emprego e muitas outras. Eu digo que são heróis, porque mesmo em cima de uma cadeira de rodas ou de muletas, conseguiram com que vários mono, para e tetraplégicos se reabilitassem fisi, psico e socialmente, e colocaram no mercado de trabalho centenas de deficientes físicos, mostrando que também são capazes e atropelando os preconceitos e limitações.
E foi lá que meus pais se conheceram. Namoraram por um tempo, minha mãe engravidou e ,então, se casaram. Sim, caro leitor. Eu não sou filha adotiva como muitos pensam.
Quando estava passando aquela novela em que tinha a Luciana (tetraplégica) e que teve a cena em que ela ia ter a primeira relação sexual após o acidente eu fui obrigada a ouvir um comentário do tipo : “ Ah! Pelo amor de Deus! Vem me dizer que deficiente consegue transar?”. Não resisti e disse : “Olha só! Sou a prova viva de que isso acontece, querido!”. Antigamente eu quase morria quando via alguém descriminando meus pais, ou quando um coleguinha de escola vinha na minha casa e, quando os via, ficava doido pra ir embora. Hoje não é assim. Digo que a deficiência dos meus pais é que me fez ser quem eu sou. Madura, compreensiva, sei respeitar as diferenças das pessoas, não desisto fácil, corro atrás dos meus sonhos e luto pelos meus direitos.
Meus pais são meus exemplos de vida. Exemplos de força, determinação, fé e superação. Então não deixe que obstáculos te atrapalhem. Passe por cima deles e siga em frente!
seeyousoon!

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