É. Meu silêncio diz muita coisa. Coisas que até não queria dizer, mas acabo dizendo. O problema é que não sei me calar quando eu tenho que calar. E isso acontece quando dói. E tá doendo muito! Não dá pra fingir, não dá pra esconder... Não dá pra fechar os olhos, respirar fundo e mentir pra mim que tá tudo bem. Não tá, ué. Queria gritar, chorar mares, queria um colo, um cafuné. Mas isso eu também não consigo, também não tenho. Mas eu consigo me calar, me manter forte, uma imensidão de frieza, um poço de segurança, mantenho pulso firme. Mas aí chega aquela hora e eu explodo. E nessa explosão sai palavras pra tudo quanto é lado, e eu prefiro escrever. Mesmo que saia palavras confusas, bagunçadas, que se contradizem, eu escrevo.
Escrevo pra me libertar. Escrevo pra me livrar de sentimentos e palavras íntimas. Escrevo pra doer nos outros, pra matar a angústia, pra causar suspiros, pra fazer chorar e soluçar. E esse martírio um dia vai ter fim. Até lá eu vou continuar silenciosa. Até lá eu vou ganhando alguns sorrisos (uns verdadeiros, outros falsos), sorrisos de estranhos, colo de mãe, e querendo um colo de vó. Até lá eu vou tomando café quente, pra queimar a boca e eu dizer que tá doendo porque queimou. Até lá eu vou sentindo com a pele, vou me revirar do avesso, vou ler (tudo) com os olhos. E se lá por dentro tiver doendo demais, uma lágrima vai escorrer e eu vou dizer com um sorriso discreto e de lado : “foi só um cisco.”. E esse sorriso vai dizer pros meus problemas que eu sou maior e mais forte que eles e que as lágrimas estão ali só pra umedecer a alma.
E quando a vida der uma reviravolta danada, eu vou descobrir que o meu avesso é o lado certo. Vou ver que pensar demais faz a gente desistir, e aí eu não vou querer pensar em mais nada. Vou perceber que vivi criando expectativas e sem perspectivas. Que andei às tontas e às cegas; que me privei demais e que passividade definitivamente é um dom que eu não tenho.
seeyousoon!

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